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António Costa

02.04.15

 




António Costa, ao vir ao Clube dos Pensadores (CdP), demonstrou sagacidade e que nem sempre liga ao aparelho partidário.
Um líder subjugado por um aparelho partidário tem os dias contados. Essa tarefa não é fácil. Esteve muito bem no Clube dos Pensadores, a falar para a sociedade civil, para os cidadãos, sem ser num registo comicieiro e para socialistas ansiosos de poder. Foi uma boa jornada de esclarecimento e de opinião.

Apercebi-me na organização da presença de António Costa, de algum amadorismo e desconhecimento, de quem o acompanha, para onde vinha e, como se desenrolam estas actividades do Clube. E, da importância da sua presença.

António Costa veio de propósito de Lisboa para o debate. Mas notei que alguns socialistas do PS Porto que  tentaram colar-se a ele, e vir na onda para estarem no jantar privado no clube. Alguns não conseguindo disfarçar desagrado e incomodidade, pela presença no Clube, só demonstrando como estão desfasados da realidade e como se deve fazer política no futuro.

Ora bem, o CdP realizou um jantar privado e restrito com convidados habituais devidamente organizado e planificado. Não é em cima da hora que se pode vir jantar ou fazer-se de convidado.

Se algumas pessoas queriam vir ao jantar com Joaquim Jorge e António Costa, pegavam no telefone e ligavam a pedir para estarem presentes. Ou, já que se dizem tão próximos de António Costa falavam com ele e António Costa bastava dizer-me que vinha A, B ou C. Porém isso não aconteceu.

António Costa, e bem, como convidado limitou-se a fazer-se acompanhar do seu assessor.

O CdP respeita muito toda a gente, mas exige que o respeitem. No Clube não há gente de primeira e de segunda, há gente educada, respeitosa e cordial que se entende para que um debate decorra da melhor forma. Os cargos, os doutores, os pseudo- importantes ficam à porta da entrada deste Clube.

Por outro lado, Joaquim Jorge convidou expressamente Orlando Gaspar porque é alguém que representa muito para o PS Porto, sendo um oráculo socialista com uma experiência e um savoir faire que deveria ser aproveitado. Porém não me parece que assim seja.

O PS Porto está dividido em coutadas de Manuel Pizarro, José Luís Carneiro, etc., o que é mau para o partido e para a sua imagem. Todos querem aparecer na fotografia e dizerem que estão com António Costa mais do que todos os outros, apesar de muitos até há pouco tempo serem Seguristas convictos. Mas o cheiro a poder tem destas coisas, incompreensíveis para pessoas como eu, que tem coluna vertebral e defendem ideias e valores, e não, lugares.

 António Costa esteve muito bem, percebendo para onde vinha e da importância da sua presença. Confidenciou-me antes do debate se iniciar que poderia abdicar dos 15 minutos de intervenção inicial e começar logo com as perguntas da plateia. Acho-o uma pessoa cordial, educada e para quem não vale tudo na política, a começar por ataques pessoais. Fez bem não falar de assuntos internos portugueses no estrangeiro, como aconteceu recentemente em França. Fez bem também perante uma plateia de chineses, não dizer mal de Portugal. Há questões nacionais que estão acima de questões partidárias. António Costa é socialista, mas antes disso, é português e tem deveres patrióticos.
Fez bem, recentemente, recusar responder a uma jornalista para dar a sua opinião sobre as dívidas fiscais de Pedro Passos Coelho.
Fez bem, no caso Sócrates, não empolar a situação, deixando isso para a Justiça. Só demonstra mestria e sensatez.
A uma pergunta que lhe fiz durante o debate: «O que achava de se criar um Ministério do Entendimento, entre políticos portugueses? Um Ministério de Compromisso Nacional»? Há uma aridez e virulência no conflito ideológico muito grande. A dificuldade de os portugueses se entenderem e fazer acordos é gritante. Há uma tendência para a deslegitimação do outro que é surpreendente.

António Costa concordou referiu, como exemplo, os debates no Parlamento nada edificantes e que os debates quinzenais  muitas vezes transformam-se em duelos em que parece que tem que haver um vencedor, e não, troca de argumentos. Dando outro exemplo, que também contribui para esta crispação, os debates na televisão, em frente-a-frente.
Eu estou plenamente de acordo, e até, acho que os debates no Parlamento deveriam voltar a ser mensais em vez de quinzenais. Não vejo necessidade da presença do Primeiro-Ministro de quinze em quinze dias no Parlamento. Penso ser mais necessário um Primeiro-Ministro no Parlamento, quando lá vai, não fugir às perguntas dos deputados e respectivas interpelações.
 
Esta quarta-feira no debate quinzenal o líder parlamentar do CDS-PP acusa PS de "sonsice política" , depois do que António Costa disse no Clube dos Pensadores. A coligação PSD/CDS não esteve bem. Primeiro, ao referir-se a António Costa que não é deputado na Assembleia da República e desse modo não se pode defender. Segundo,a vida politica
não é  exemplo nenhum, no plano do confronto verbal e pessoal, antes pelo contrário, sendo por vezes vergonhosa,indecente, imoral e difamatória. 
 
Na política não pode valer tudo. Sou a favor do debate de ideias com elevação e educação sem ataques pessoais. Pode-se divergir de uma pessoa no plano de ideias, no plano político, mas nada tendo contra essa pessoa. António Costa até deu como exemplo, que se dá muito bem com Rui Rio, apesar de serem de famílias políticas distintas e terem ideias diferentes em alguns aspectos.
 
Eu, em Gaia, também me apercebo que o presidente da CM Gaia confunde as minhas opiniões e críticas para o bem de Gaia com ataques pessoais e na linha da sua pessoa. Neste debate no Clube dos Pensadores esteve presente Albino Almeida, presidente da Assembleia Municipal da CM Gaia. Já me disse várias vezes muito bem do Clube e que é um adepto da cidadania, só lamento que no aniversário do Clube dos Pensadores, não digo ter estado presente, mas se dignasse enviar um SMS, a dizer qualquer coisa. A política precisa de acabar com pessoalização, mas nunca deixar de ter boas maneiras.
 
JJ

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