Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

Portugal, depois do 25 de Abril, andou quase sempre mal em muitas áreas.

Abandonámos a agricultura e agora estamos a voltar à terra, abandonámos o mar e agora voltamos à pesca, acabámos com o ensino profissional e estamos a voltar aos cursos vocacionais com uma componente prática maior.

Hoje, já 41% dos jovens portugueses estão inscritos em cursos de ensino profissionalizante (desde os profissionais aos vocacionais). A média na OCDE é apenas ligeiramente superior: 44,5%.

Por outro lado, de acordo com os dados de 2011, 58% dos adultos portugueses entre os 25 e os 34 anos tinham pelo menos o 12º ano, enquanto na OCDE a média ascende aos 82%. No que respeita ao ensino superior, o valor para Portugal é de 28%, contra uma média nos países da OCDE de 39%.

Em Portugal há licenciados (doutores) a mais e deveria haver mais cursos intermédios e profissionais. É necessário oferecer cursos que sejam valorados para a sociedade portuguesa. Se eu precisar de um serralheiro, picheleiro, jardineiro, etc., tenho muita dificuldade em arranjá-los. Todavia, se tiver um problema no meu computador, não falta um informático para o arranjar.

É preciso articular a oferta com a procura. Eu sei que ter um diploma de ensino superior continua a ser uma vantagem. O facto é que o desemprego entre os licenciados portugueses é o dobro do que se regista lá fora: 10,5 contra uma média de 5%. Vivemos num país de doutores, em que as pessoas fazem alarde do seu título académico. Somos um povo pretensioso e snobe, pensando que por termos um canudo somos mais do que os outros.

É necessário mudar de paradigma na educação. Apostar no ensino profissional, mas por outro lado as profissões que emanem desses cursos devem ser relevantes e reconhecidas socialmente. Temos que estreitar as distâncias entre um médico e um enfermeiro, entre um professor e um auxiliar de educação, entre um engenheiro e um encarregado de uma obra, entre um juiz e um oficial de justiça, entre um picheleiro e um licenciado.

O reconhecimento social será fundamental para que os pais não queiram que os seus filhos sejam “doutores”, mas tenham um curso respeitável no contexto social e, mais importante, uma profissão - e sejam felizes.

Eça de Queirós dizia: “Todo o ministro que entra - deita reforma e coupé. O ministro cai - o coupé recolhe à cocheira e a reforma à gaveta”. Agora acabaram com os exames do 4º e 6º ano.

A educação deve ser um desígnio nacional. As regras para um aluno que entre para o 1º ano devem manter-se até ao 12º. Andar a mudar a avaliação a meio do seu percurso não é correcto.

JJ

*texto publicado no ECONÓMICO a 8/01/2016

Autoria e outros dados (tags, etc)

comentários

comentários

Mensagens




Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


calendário

Fevereiro 2016

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
2829