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 As eleições primárias no PS podem considerar-se uma aposta ganha. Mas atendendo às circunstâncias em que se realizaram, António José Seguro despoletou esta iniciativa, numa fuga para a frente, para ganhar tempo de forma a não ser apeado do poder. Falou em abertura do partido aos cidadãos pensando que eles lhe dariam o seu apoio. Perdeu, porém há males que vêm por bem.

A novidade funcionou, contudo entre os inscritos: simpatizantes e militantes mesmo sem as quotas em dia houve uma abstenção à volta de 30%.

 

 

Inscritos

Votantes

António Costa

António José Seguro

Total

248 573

174 770

118 272

55 171

%

 

70,31%

67,67%

31,57%

 

Nas eleições internas do PS, em que votam à volta de 30.000 militantes num universo de 90.000 militantes, é muito bom. Votam menos de 50%, com a abstenção a rondar mais de 40%.

Este processo foi estimulante e aaproximação com os cidadãos louvável. Todavia este processo já foi efectuado no PS francês e os resultados não me parecem os melhores. Foi eleito François Hollande, homem do partido em detrimento de outras candidaturas mais capazes.

Seria importante a possibilidade de dar acesso a candidatos não filiados nos partidos, isto é, abre-se a possibilidade de votar não militantes, mas não se facilita uma candidatura de um simpatizante ou independente. Estas eleições primárias são uma medida de regeneração e limpeza democrática, mas deveria ser acompanhada de outro tipo de medidas. Mudança no sistema de nomeações para órgãos institucionais e a elaboração de uma nova lei de partidos que democratiza a sua gestão e funcionamento. Essa nova lei dos partidos deve obrigar todas os partidos a fazer eleições primárias para designar os seus candidatos e abri-los a simpatizantes ou independentes.

Este processo é um pouco cosmético, dá-se com uma mão (permitindo simpatizantes ou qualquer cidadão votar) mas tira-se com a outra (não permitindo um simpatizante ou independente ser candidato).

É um passo, mas muito tímido, porventura sedutor, mas induz em erro os cidadãos. Os partidos têm medo de perder o controlo sobre este processo que é a eleição do candidato a primeiro-ministro. Pode-se fazer uma leitura contrária à pretendida. Há uma abertura, mas o PS contínua a olhar para o seu umbigo. No fundo, as primárias do PS converteram-se num mero casting e uma passagem de personagens e sorrisos cativadores.

Nas próximas eleições autárquicas vai haver primárias para a escolha dos candidatos a presidente de Câmara?

Estas primárias no PS foram tão livres que os cidadãos utilizaram-nas para castigar a fraca oposição feita por António José Seguro e os militantes socialistas para chegar de novo ao poder e distribuir lugares. Não foi um voto ideológico mas mais exótico de gente que aproveita para passar facturas.

Este lodaçal em que se encontra a política portuguesa, só de lá sai, se passar pela iniciativa dos cidadãos com mais democracia, menos colonização dos partidos e do aparelho do estado.

Os cidadãos devem estar atentos e serem mais exigentes com os políticos e as políticas que executam. Se este PS for igual ao que governou antes do governo PSD/CDS, torço o nariz. Acabou o tempo de passar cheques em branco e acreditar no inacreditável.

 

JJ

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