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No dia 9 de Novembro, cumpre-se 25 anos da queda do muro de Berlim. Tive o prazer de visitar Berlim ainda o muro existia e não era nada bonito ver uma cidade dividida em duas partes em que do lado ocidental parece que havia tudo e do lado oriental parece que não havia nada. A queda do Muro acabou com a guerra fria permitindo a reunificação da Alemanha. A cidade de Berlim ficava em território da antiga Alemanha Oriental e a cidade estava divida em duas: lado ocidental, um país com democracia; do lado oriental um país comunista. Perguntaram-me se desejava ir ao lado oriental, mas na fronteira todo aquele aparato militar e controle persuadiu-me a fazê-lo. Lamento pois poderia ter visto coisas que com os anos se foram diluindo.

 
Depois da queda do muro de Berlim provocada com as mudanças políticas no mundo comunista, parece que está na moda a construção de muros, num retrocesso sem precedentes. O primeiro foi o muro que Israel mandou construir para separar o país dos palestinianos, devido aos atentados bombistas. Os EUA aprovaram construir um muro de 1200 quilómetros na fronteira do México para evitar a imigração clandestina. Em Bagdad, uma vala de quatro quilómetros para separar as comunidades sunitas e chiitas. Estes exemplos são alguns do que se está a passar no Mundo inteiro – muros, barricadas, valas, grades, fossos e trincheiras; desde América, África, Ásia e agora na Europa. Estas divisões, cercando a liberdade, são um paradoxo, numa época de globalização, os capitais e as transacções comerciais podem mover-se livremente, porém os seres humanos não. Os muros ressuscitam uma política que pensávamos acabada com a guerra-fria.

 

Hoje é uma atracção turística, a Muralha da China foi erguida no séc. III a. C., para tentar salvaguardar naquele tempo, o brilhante Império, das invasões dos mongólicos e de outros povos setentrionais. Esta muralha a maior de todas, com a extensão de 6500 quilómetros.

Como sabem esta muralha não conseguiu proteger o seu regime, do vigoroso impulso dos seus vizinhos do norte e da influência Ocidental. Lamento que os políticos pensem mais nas próximas eleições do que nas próximas gerações.

Os muros permitem uma contenção temporal mas não definitiva, tornam-se vulneráveis e um dia desaparecem, sendo destruídos pelos cidadãos. Como diz Federico Mayor Zaragoza, ex-director-geral da Unesco e presidente da Fundação Cultura pela Paz: “a melhor vala seria um Plano Marshall à escala mundial que impulsionasse, o desenvolvimento agrícola, industrial, sanitário, cultural e educativo das zonas pobres e conflituosas do Planeta”.

Este isolamento claustrofóbico e abusivo de populações que vivem na miséria, sem emprego, em condições sub-humanas mais parece campos de concentração. Recentemente em Pádua, o presidente da câmara mandou construir um muro metálico no bairro “ La Sereníssima”, habitado por imigrantes africanos infestados de droga, prostituição e violência. A uma escala menor existem a proliferação de condomínios luxuosos por todo o Portugal. Como se fosse possível ter uma vida faustosa e de luxúria e cá fora gente no limiar da pobreza, a passar fome, excluída e analfabeta.

É necessário modificar este estado de coisas: os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Este é um muro não visível. Ainda não percebi como não houve um levantamento popular com consequências sociais efectivas. País de brandos costumes, eu diria de cobardes.

JJ

 

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