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Não me canso de pensar, a propósito de José Sócrates, na história do povo português, um povo inocente e que com o 25 de Abril pensava que a democracia e eleições livres haveria um futuro mais humano, igualitário e profícuo. Nesse ano de 1974 eu tinha 17 anos e fui na onda da mudança e que as coisas iriam melhorar. Porém, este povo português está a descobrir aos poucos tendo em conta as infindáveis "broncas" e "casos" que vivemos num regime que nos enganou e está completamente estafado.

Tudo isto aconteceu nas costas deste povo qualificado de inocente, ingénuo, desinformado e desligado. São tantos os casos, vou só citar os mais recentes: Monte Branco, Furacão, Portucale, Apito Dourado, Face Oculta, BPN, Remédio Santo, BES, vistos “gold” e, agora o caso de José Sócrates. Não tenho dúvidas que grande parte dos nossos governantes, autarcas e gestores públicos favorecerem familiares e amigos, em contratos, lugares de nomeação, etc..E se poderem desviam dinheiros públicos.

Isso aconteceu sempre com a conivência de um povo cuja inocência o tornava cego e não conseguia ver o que se estava a passar. Finalmente parece que o povo português começa a arregalar os olhos e ver que foi enganado durante quarenta anos. Esta é a história triste e comovente de uma povo que se libertou de uma ditadura mas ficou colado a uma casta de gente sem escrúpulos, muitos da aldeia, que chegou a Lisboa e tornou-se snob e convencida que poderia fazer tudo e mais alguma coisa e que tudo lhes passaria por baixo saindo incólume.

Parece uma doença circunscrita a um número determinado de pessoas que manchou com os seus actos, comportamentos e atitudes a reputação da democracia e de uma nação. O certo é que há uma quantidade assombrosa de dinheiro desviado por quem, na maioria dos casos, pregava a honradez e se auto- proclamava um exemplo de massas. Como foi possível este povo ser enganado tantos anos? A raiva que sentimos hoje, é aliada de uma consciência acrítica e premiar com o voto os responsáveis de tal monstruosidade.

Os políticos sempre acharam que os erros dos seus correligionários eram menores do que os do adversário e sempre sacudiram as suas responsabilidades. 

Com este tipo de abusos muitos enriqueceram enquanto outros perderam as suas economias, o seu trabalho, o seu poder de compra e, o mais importante, a sua dignidade e o um futuro de vida.

Parece que estamos condenados a adulação, ao silêncio, ao medo e a obedecer.

Nunca me coloquei no lado de aceitar tudo sem perceber e pedir que me expliquem. É um direito, querer saber o que se vai fazer. Isto de ser cidadão informado e atento dá muito trabalho...

JJ

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