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O relatório da OCDE divulgado esta semana no Education Policy Outlook 2015 é mais do mesmo e não traz nada de novo.

Salienta que, em Portugal, um em cada três alunos com 15 anos já chumbou, 34 por cento dos alunos portugueses ficaram retidos pelo menos uma vez aos 15 anos, quando a média na OCDE se fica nos 15 por cento.O relatório salienta que no caso das retenções custam dinheiro e são muito pouco eficazes na recuperação dos alunos.

Portugal, depois do 25 de Abril, andou quase sempre mal em muitas áreas. Abandonámos a agricultura e agora estamos a voltar à terra, abandonámos o mar e agora voltamos à pesca, acabámos com o ensino profissional, de novo, estamos a voltar aos cursos vocacionais com uma componente prática maior, que têm que ver com a nossa realidade social, em que haja procura no mercado do trabalho. É imperativo uma maior articulação entre escolas e empresas.

Hoje, já 41 por cento dos jovens portugueses estão inscritos em cursos de ensino profissionalizante (desde os profissionais aos vocacionais criados por Nuno Crato). A média na OCDE é apenas ligeiramente superior: 44,5 pontos percentuais.

Por outro lado, de acordo com os dados de 2011, 58 por cento dos adultos portugueses entre os 25 e os 34 anos tinham pelo menos o 12º, enquanto na OCDE a média ascende aos 82 pontos percentuais. No que respeita ao ensino superior, o valor para Portugal é de 28 por cento, contra uma média nos países da organização de 39.

Eu acho que há em Portugal licenciados (doutores) a mais e deveria haver mais cursos intermédios e profissionais. É necessário oferecer cursos que sejam relevantes para a sociedade portuguesa. Se eu precisar de um serralheiro, picheleiro, jardineiro, etc., tenho muita dificuldade em arranjá-los. Todavia se tiver um problema no meu computador não falta um informático que me ajude a resolver o problema.

Articular a oferta com a procura. Eu sei que ter um diploma de ensino superior contínua a ser uma vantagem, o facto é que o desemprego entre os licenciados portugueses é o dobro do que se regista lá fora: 10,5 contra uma média de 5 por cento.

Sempre disse que vivemos num país de doutores e engenheiros, em que as pessoas fazem alarde do seu título académico. Somos um povo vaidoso e convencido, pensando que por termos um canudo somos mais do que os outros, ou somos alguém. Tivemos um ministro que caiu porque quis ser doutor à força, outro formou-se ao domingo, etc.

Depois temos enorme massa de desempregados doutores, outros estão empregados nas caixas de muitas empresas, outros balconistas. Tanto se investe na formação para desempenhar profissões que nada têm que ver com a sua profissão desejada.

Somos um país de pindéricos, a armar ao fino, cheio de salamaleques e de pavões, novos-ricos e doutores julgando sempre que somos mais do que os outros e que vivemos lá de cima do nosso pedestal. Enquanto não mudarmos esta mentalidade do armanço, que temos um canudo, dinheiro, motorista e carro, cartão de crédito, não vamos lá.

É necessário mudar de paradigma na educação. Apostar no ensino profissional, mas por outro lado as profissões que emanem desses cursos sejam relevantes e reconhecidas socialmente. Temos que estreitar as distâncias entre um médico e um enfermeiro, entre um professor e um auxiliar de educação, entre um engenheiro e um encarregado de uma obra, entre um juiz e um oficial de justiça, entre um picheleiro e um licenciado.

O reconhecimento social será fundamental para que os pais não queiram que todos os filhos sejam licenciados mas tenham um curso importante no contexto social, emprego, e o mais importante, uma profissão e sejam felizes.

Eça de Queirós dizia: “todo o Ministro que entra - deita reforma e coupé. O Ministro cai - o coupé recolhe à cocheira e a reforma à gaveta.”
O ministro Nuno Crato, ao querer aumentar a oferta do ensino profissional, faz bem. Todavia, a componente obrigatória de 12 anos de escolaridade é muito longa e seria melhor que a partir do 9.º ano de escolaridade os alunos seguissem outra via.

A educação em Portugal deve ser um desígnio nacional e quando chega um novo ministro não deve querer mudar tudo, já chega de reformas. Temos que parar com experiências e tudo querer mudar em tempo relâmpago. O que se deve fazer é procurar incrementar as medidas tomadas, fazer ajustamentos, mas como tronco comum a estabilidade. Um aluno que entre para o 5ºano mantenha as regras até ao 12ªano e não andar a mudar a meio desse percurso. Saber por onde pode optar nessa caminhada.

Mais tarde fazer um estudo científico devidamente elaborado e atestado em premissas práticas e académicas para analisar as medidas tomadas e a sua evolução.
 
JJ

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