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Pedro Passos Coelho tinha e tem uma imagem de seriedade e recato. Não é exibicionista, nem com a mania das grandezas. Tenho a noção de que o lugar de primeiro-ministro não lhe subiu à cabeça e não se deslumbrou. Um dia, quando esteve no Clube dos Pensadores, confidenciou-me que tinha saudades de voltar a conduzir um automóvel e dar uma volta à sua maneira e como quisesse. Algo normal num comum dos cidadãos sem responsabilidades governativas ou partidárias de topo.

 

O problema é que Pedro Passos Coelho está em questão. Uma democracia não pode num Estado de Direito ter à sua frente alguém que declara que é deputado em regime de exclusividade e receber por isso um subsídio de reintegração na vida privada, depois de deixar de ser deputado. Todavia, para além da remuneração de deputado em regime de exclusividade, terá recebido outras quantias não declaradas.

Para ser sincero, todos os portugueses falam muito, mas é dos outros. Esquecem-se de olhar para o seu umbigo. Qualquer português no seu íntimo e na sua essência se puder fugir aos impostos fá-lo com a maior das facilidades e na primeira oportunidade.

Pedro Passos Coelho não terá fugido à regra. Nesse ponto compreendo apesar de censurável na máxima – ninguém deve fugir ao Fisco. Isto é, não declarar às Finanças quantias recebidas.

Porém, a questão de receber um subsídio de reintegração no valor de 60 mil euros alegando exclusividade, já é mais complicado.

O problema que começa a colocar-se aos portugueses é que olham à sua volta e ninguém se safa e todos ou quase todos têm rabos-de-palha. Este alegado delito de Pedro Passos Coelho comparado com outros processos e tramas é minúsculo e uma gota neste oceano de corrupção que banha Portugal.

Contudo é um mau exemplo para os portugueses, que perante mais este facto já não sabem em quem acreditar. Quando se deixa de acreditar na Democracia pode começar a acreditar-se noutras coisas.

Estamos no fim desta legislatura e no fim deste Governo. É sina em Portugal o final de um Governo ser uma agonia, deprimente, fastidioso e corruptível.

O problema é que ,depois do PS andar à turra e à massa, este Governo estava a reunir as condições para se manter em funções.

À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta. Não tenho dúvidas de que Pedro Passos Coelho é honesto, mas este deslize pode custar-lhe caro.

A sobrevivência da nossa Democracia passa por uma política de exemplo. Os portugueses já não acreditam em grandes discursos e palavras.

Antes de pedir-se austeridade aos portugueses, um governante deve dar indicações que faz austeridade. Antes de cortar salários, um governante deve cortar no seu salário, de preferência mais do que pede aos outros.

E assim sucessivamente. Sem exemplos não vamos lá, nem a lado nenhum.

 

JJ

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