Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

O Ministério Público admite que Mário Soares se pode ter excedido, mas não cometeu crime contra o juiz . A frase em causa que deu tanta polémica: « E o juiz Carlos Alexandre que se cuide».

Esta frase foi escrita num artigo de opinião publicado no Diário de Noticias. Mário Soares não se conforma que José Sócrates esteja em prisão preventiva.

Apesar do Ministério Público achar que se excedeu, contudo mandou arquivar o processo achando que não contém em si mesmo perigo para ser penalizado, configurando-se dentro da liberdade de expressão.Salientando que Mário Soares é uma das figuras mais conhecidas da implantação da nossa democracia , da separação de poderes e da independência dos tribunais.

Não concordo! Mário Soares pela figura relevante que já foi e é para muitos portugueses, mais cuidado deve ter com os seus actos e palavras. O que tentou fazer foi coagir o juiz e ameaçá-lo. Muita gente dá-lhe algum desconto devido à sua idade adiantada. Essa condescendência tão apanágio dos portugueses de arranjarem sempre uma desculpa e tolerância sem limite está errada. Deveria ser exactamente o contrário. Mário Soares sabe muito bem o que pretendeu fazer e não tem desculpa.

Mário Soares procurou constranger o juiz e que alterasse a sua posição no processo. Não está aqui em causa a pessoa de José Sócrates e tudo relacionado com a sua prisão.

O que está em causa é uma alta ex-figura do Estado, considerado por muitos, o Pai da democracia portuguesa ter tido uma atitude destas e não ser punido. Deste modo, vamos ter de novo Mário Soares a proferir atoardas e ataques à justiça, enquanto não se fizer o que ele quer, achando-se nesse direito e que ninguém lhe fará absolutamente nada.

O problema deste país é que tivemos um Ricardo Salgado, "o dono disto tudo" que apesar do que fez no BES está em liberdade pagando uma caução, nada aparentemente lhe acontece, não paga aos desgraçados dos pequenos aforra dores que ficaram sem o seu dinheiro , todos nós sabemos tendo bens e dinheiro para o fazer.

Mário Soares julga-se , "o dono de Portugal", em que se dá ao luxo de dizer e fazer o que lhe apetece. Chegando ao cúmulo de exigir a libertação de um preso, pressionar um juiz e nada lhe acontece.

Dalai Lama no seu livro Conselhos do Coração dá vários conselhos a quem se dedica à politica e criticando muitos deles , pois detêm o poder, têm muita força e influência. A dado passo diz : «Que há políticos imaginam que têm o direito de se permitir a certos caprichos e de fazerem tudo o que querem, sem que ninguém tenha nada a dizer». O problema é que em Portugal para além de políticos no activo há os ex-políticos.

Vivemos num país que tem um ex-Primeiro-Ministro preso e um ex-Presidente que o quer libertar a qualquer preço. Triste e vergonhoso!

JJ

Autoria e outros dados (tags, etc)

PSD de GAIA

27.02.15

 

 



Actualmente quem está à frente da concelhia do PSD de Gaia é Firmino Pereira, um social-democrata de longa data que esteve no executivo durante 16 anos do ‘reinado’ de Luís Filipe Menezes e um dos maiores responsáveis pelas vitórias do PSD local.

Tem a difícil tarefa de fazer oposição ao PS, que venceu com uma maioria relativa, apesar de ter todas as condições depois da saída de Luís Filipe Menezes de se afirmar politicamente. Todavia ficou-se por uma vitória que soube a pouco. Ficou a ideia que - se o PSD tem apresentado outro tipo de candidato e não se tem envolvido nas trapalhadas, pela sucessão e saída de Menezes, mais a fuga de Marco António Costa com medo de ir a votos, estando na politica activa sempre por nomeação nunca por eleição - o PSD poderia ter vencido.

Aqui começa o busílis da questão. O PSD se quer voltar a liderar Gaia tem que modificar a sua forma de actuar e de estar perante este executivo. O PS depois de vencer as eleições procurou fazer uma OPA à oposição, a troco de estabilidade e lugares remunerados, incorporando os vereadores de Guilherme Aguiar (três) e do PSD (um). Deste modo deixou de haver oposição, pois resume-se a dois vereadores do PSD, em que está Firmino Pereira.
Está na hora de se construir um projecto alternativo e de afirmação de uma concelhia que tem mais de 5000 militantes sendo muito importante numas eleições, em que o líder é eleito por um universo que anda à volta 30.000 militantes. Firmino Pereira tem que deixar de ser o homem dos bastidores e que fica atrás, afirmar-se politicamente pelo seu passado e pelo que representa hoje em dia para o PSD.

O PSD em Gaia perdeu o Pai (Luís Filipe Menezes) e o tio (Marco António Costa), mas pode ter alguém da família que nunca foi muito tido em conta, mas que esteve sempre presente nas horas boas e más, e se torne um patriarca (Firmino Pereira). A primeira coisa a fazer é o vereador do PSD passar para a oposição, estando unidos os três vereadores do PSD. Aos olhos dos gaienses não se pode fazer oposição credível tendo um vereador no executivo. A política tem que ter consequências e tomadas de posição exemplares.

De seguida, chamar todos os militantes do PSD que nas últimas eleições estiveram com o independente Guilherme Aguiar por descontentamento com o desenrolar dos acontecimentos. Ser abrangente, congregador e incorporá-los num novo projecto de futuro, e o mais importante ouvi-los.
À oposição interna liderada por Pedro Sousa fazer um approach de convivência e partilha de ideias e posições concertadas para revigorar o PSD.
Fazer auto-crítica e reconhecer que todo o PSD é culpado do ocorrido nas eleições autárquicas de 2013.
Por fim, escolher o próximo candidato à Câmara Municipal Gaia para construir um novo projecto de futuro.

Esta é a tarefa hercúlea que Firmino Pereira tem pela frente: acolher os dissidentes, unir o PSD, aliciar independentes, escolher o próximo candidato à Câmara de Gaia para construir um novo projecto de futuro.
Ao fim de ano e meio de mandato do PS, o PSD não pode pactuar com o PS, podendo mais tarde ser acusado de conivente com políticas que não concorda. O PS em Gaia, no qual votei pensando que seria uma lufada de ar fresco, segue uma linha com a qual não estou de acordo – segundo o escritor americano Norman Vincente, “o mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica”.
A verdadeira revolução do PSD é ser honesto, fazer uma oposição construtiva e marcar as diferenças, afastar-se de um passado nebuloso, enaltecer o que for bem feito, não pactuar com lugares e cargos. No fundo, ser uma pessoa de bem e com coluna vertebral.
Estar aberto ao regresso de Luís Filipe Menezes, mas não a qualquer preço e se este vier por bem, com humildade, que se submeta a uma catarse de reconhecimento de erros cometidos, seja conciliador, acolhedor, recomece do zero, sem espaventos de triunfalismo e no quero posso e mando e estou acima de tudo e de todos.
Se Menezes, porventura, resolver os seus problemas, terá que passar por um cura de sensatez, despretensiosismo, discrição, modéstia, recato e simplicidade. E, o mais importante sem o habitual entourage, como dizia Santo Agostinho (filósofo e teólogo), “prefiro os que me criticam porque me corrigem aos que me elogiam porque me corrompem.”

Se tal não acontecer mostrando que está igual, a opção passará pelo próprio Firmino Pereira ou alguém que ele escolha de Gaia vinculado ou não ao PSD.

O PSD precisa de um tempo novo, em que tudo mude, mas que não o seja para ficar tudo na mesma. O PSD tem que combater de uma vez por todas o que dizia François de La Rochefoucaud (moralista francês), “por vezes supomos odiar a bajulação, mas só odiamos a maneira de bajular”.

JJ

Autoria e outros dados (tags, etc)

Políticos

24.02.15

 




 
O Dalai Lama, no seu livro Conselhos do Coração, alerta para os que se dedicam à política e fazem inúmeras promessas para atraírem a si a estima e o apoio dos eleitores. Seria melhor serem honestos e exprimirem as suas convicções com sinceridade. Todavia, como sabemos, as suas palavras mudam conforme as circunstâncias – prometem uma coisa e no poder fazem outra.
Mas o que me faz mais confusão é a diferença entre um político antes de ser eleito e depois de eleito. Não tenho dúvidas de que a maioria tem boas intenções, mas uma vez em funções ficam deslumbrados e convencidos, esquecendo o objectivo para que foram eleitos.
É impressionante a maneira como o poder modifica, empobrece e aliena. Quase todos chegam com frescura, veracidade, disponibilidade, simpatia e genuína ânsia de melhorar a sociedade. Mas basta algum tempo, um ano, passar-se a ser escoltado, ter carro com motorista, ser honrado, rodeado de todo o tipo de atenções, ter influência, para mudarem completamente e atraiçoarem-se a si mesmos. Há uma evidente perda do contacto com a realidade.
Segundo Carles Casajuana [diplomata espanhol], um dos graves problemas de que os políticos padecem tem a ver com pura incompetência. Verdade seja dita que a maioria dos governantes não é muito boa a governar, mas é boa a alcançar o poder e a mantê-lo.
Outra coisa evidente é que um político antes de ser eleito tem tempo para tudo, mas uma vez eleito não tem tempo para nada. A sua vida é assoberbada de trabalho e de compromissos, tem uma agenda tão extenuante e delirante, que não dorme, não pensa, não lê, não fala com a sua família, não vai à rua, não tem tempo para atender uma chamada de um amigo. No fundo deixa de ter uma vida normal como qualquer um de nós e parece que deixa de ser humano. Eu já constatei este facto com amigos que estão na política activa, não têm tempo para nada, estão sempre com ar cansado, sem paciência, esgotados e perdem a noção da realidade.
Quanto mais poder tem uma pessoa, mais consciente tem de estar no que pensa e nas suas intenções para não perder o sentido das suas decisões. Infelizmente, como perde a noção da realidade e tem falta de tempo para meditar cuidadosamente, saca conclusões precipitadas da informação de que dispõe, na maioria das vezes incompleta.
Esta soberba do poder aliada à falta de tempo é uma das causas de muitos erros cometidos, para além da necessidade constante do elogio e adulação que todos os políticos querem e desejam. Pobres de nós que somos dirigidos por este tipo de políticos.
 
JJ

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

Uma das formas de uma democracia avançada é a sua transparência e controle dos cidadãos. Como costumo dizer votar é uma maneira muito pobre de exercer democracia. Devemos seguir o rasto do nosso voto e o que ele faz ao longo do seu mandato.

É importante, um cidadão saber localmente as decisões proferidas pelo seu presidente e pelos vereadores no uso de competências delegadas, até declarações de voto manuscritas, listas de adjudicações de bens e serviços, ou informações e pareceres técnicos camarários sobre assuntos votados.

É também importante, saber-se as razões que levaram cada força política ou cada vereador, a votar num determinado sentido os diferentes assuntos discutidos e propostas apresentadas.

Segundo notícia do jornal Público, do jornalista José António Cerejo, a divulgação das actas e das deliberações nos sites municipais não é uma obrigação legal, contudo deveria ser. Ao não haver divulgação, evitam expor-se e que os cidadãos estejam informados. O pouco que se sabe é por notícias do jornal e nem toda a gente lê. Aos documentos públicos pode-se aceder por consulta, sempre que solicitado, mas como todos sabemos quem o faz são jornalistas ou uma minoria de cidadãos.

A informação do que faz um município deveria estar visível no site da câmara e de fácil acesso. As câmaras não gostam de se expor e não se dão bem com a divulgação do que se passa nas suas reuniões. Mas uma democracia avançada passa pelos eleitos prestarem contas do que decidem e fazem concomitantemente os eleitores analisarem esse processo e terem conhecimento. No fundo transparência, quem não deve não teme. Transparência e abertura a todos os cidadãos das decisões e deliberações tomadas.

A maioria dos municípios infelizmente nada publicam como Lisboa e Gaia, outros publicam parte das actas mas estão escondidas no seu site, como o Porto.

Assim vai a nossa democracia local, quanto menos se souber melhor e o que querem que se saiba lê-se nos jornais. Ter acesso a documentos e poder fazer uma análise criteriosa e ponderada, a maioria das câmaras é avessa a essa situação.

Como a maioria dos cidadãos não quer saber, uns por falta de tempo, outros por opção. A nossa democracia local segue neste nevoeiro tácito, havendo aqui e ali alguma luz dada pela oposição quando consegue aceder à imprensa ou por um jornalista investigador.

JJ

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

 



O Governo está na intenção de pagar antecipadamente 14 mil milhões do nosso empréstimo ao FMI . Como sabemos Portugal fez um resgate total que anda à volta de 76 mil milhões de euros. O FMI emprestou 26 mil milhões de euros.

Pagar mais cedo, com dinheiro arrecado pela feroz austeridade sobre os portugueses, com juros mais baixos e evitar muitos pagamentos em poucos anos e muito próximos é uma boa ideia.

Tudo que implique  poupança de juros é positivo para o país e passa a ideia de credibilidade. É bom substituir financiamento mais caro por dinheiro mais barato. Permite dar confiança aos nossos credores e a nós próprios que somos capazes.

Ganhar tempo e dinheiro para honrar os nossos compromissos, permite evitar que  haja picos de esforço durante os próximos anos e diluir os pagamentos ao longo do tempo.

Com esta operação o Governo vai poupar entre 150 a 200 milhões de euros.

Seria da mais elementar justiça que essa poupança fosse devolvida aos portugueses. Foi à custa do aumento de uma carga fiscal brutal que se conseguiu esta antecipação.

Seria importante dar este sinal de alívio fiscal. No fundo os portugueses têm pago com língua de palmo a austeridade e ter um pouco de desafogo é da mais elementar justiça.

JJ

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

A Grécia está numa batalha com Alemanha e Banco Central. Este jogo que não sabemos se vai haver vencedores ou vencidos, pode terminal empatado.

O panorama está muito claro, o que está em jogo não é um problema unicamente económico, mas também político. A Grécia não deseja uma extensão, nem um terceiro resgate e para isso pede tempo.

Começa a chegar o momento da verdade para a Grécia. Alex Tsipras e Yanis Varoufakis têm que optar entre uma firmeza realista que pode melhorar a situação ou um sonho fantasioso susceptível de levar ao desastre. É necessário um equilíbrio e conciliar os desejos e interesses, expressos democraticamente nas urnas pelos gregos e - igualmente legítimos - os interesses dos países da UE.

O plano do governo grego conjuga elementos de brilhantismo e realismo com ideias menos claras e confusas.

A verdade é que o modelo económico em que assenta a UE não previa, entre outras coisas, a modificação dos tratados monetários, nem a saída de um país e a sua possível reintegração, nem a existência de uma autoridade política tal como a da Reserva Federal dos EUA que orienta a política monetária e a necessária articulação com a política de estabilidade. A Europa não tem uma estratégia de crescimento para solucionar os problemas humanos e sociais dos europeus.

A única via prevista, sem alternativa, é submeter-se e aceitar planos de austeridade que destroem o seu tecido social, sacrificando uma geração inteira, sendo um drama social para os pensionistas.

Os gregos votaram Syriza não para provocar uma revolução mas para os tirar do sufoco, que é a austeridade e os planos de resgaste, contudo não se pode ignorar o significado da vitória do Syriza. A Grécia está entre a espada e parede. Se aceitam a ofensiva do panzer germano- banco central europeu, o voto dos gregos não serviu para nada. De outro modo, afrontar a Europa será um terramoto com consequências imprevisíveis. O filósofo americano Bradley dizia, «onde tudo está mal, às vezes vale a pena experimentar o pior». Está-se num braço-de-ferro e num desfecho imprevisível.

Provavelmente haverá concessões para aliviar momentaneamente o sofrimento do povo grego. É preciso reflectir e não se pode continuar a impor a Portugal, Espanha, Itália, França, uma austeridade socialmente devastadora. Há a ameaça crescente da extrema-direita que prospera na Europa e na própria Grécia, por outro lado a expectativa criada pela vitória do Syriza. Se tal não se concretizar o passo para uma rebelião é real.

A Europa pode aceitar algumas medidas sociais - relativas à assistência na saúde, quiçá um pequeno ajustamento do salário mínimo - mas não vai permitir que congelem as privatizações e não se pare com as reformas. Haverá muito provavelmente concessões mínimas e o resgaste grego passará a chamar-se "contrato" ,e tem a sua lógica, tendo em conta a sua especificidade.

 

A Grécia e a Europa estão condenados a entender-se, todavia a Europa não pode funcionar como um conselho de administração de um banco, é um projecto de índole humana solidária e cultural.

JJ

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

Joaquim Jorge, fundador do  Clube dos Pensadores (CdP) convidou Rui Rio para estar presente num debate, dia 9 de Fevereiro, segunda-feira, pelas 21h30  no Hotel Holiday Inn em Gaia.

 

Tema: É preciso Reformar a Política?

 

Rui Rio é economista, foi Presidente de Câmara do Porto, destacado dirigente do PSD em que   foi secretário-geral do PSD, com Marcelo Rebelo de Sousa e vice-presidente com Durão Barroso, Pedro Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite. No plano partidário é considerado um putativo candidato a líder do PSD.

 

No plano nacional também um putativo candidato a Primeiro-ministro ou eventualmente candidato a Presidente da República. No fundo é uma reserva moral do PSD e dos portugueses.

 

Muitos portugueses e muitos sociais-democratas acalentam a esperança que Rui Rio um dia lidere o PSD e Portugal. A sua prestação na CM Porto e na  vida pública demonstra um perfil do gosto de muita gente: austero, poupado e equilibrado.

 

Tem sido crítico, algumas vezes em relação à política seguida pelo governo de Pedro Passos Coelho, apontando caminhos diferentes dos seguidos na política actual. Alimenta uma relação de proximidade com António Costa quando eram  presidentes deCâmaras do Porto e Lisboa respectivamente e mantém essa relação depois de António Costa se tornar líder do PS e Rui Rio ter saído da Câmara do Porto pela lei da limitação de mandatos.

 

Há um grande divórcio entre os políticos e os portugueses. Há várias razões para  justificar, o facto de a política ser mal vista: atitudes e comportamentos dos seus actores (políticos);  falta do exemplo; excesso de  privilégios; impunidade; a não separação entre política e justiça; etc.

 

A regeneração da política passa pela elaboração de um código de boas práticas e de várias reformas: lei eleitoral; poder judicial; partidos políticos; administração; educação.

 

É preciso novas formas de fazer política e que a cidadania recupere o seu lugar. A democracia tem de deixar de estar sequestrada pelas elites políticas e financeiras. É preciso exercer a democracia e impugnar a hierarquia das estruturas do poder. Não querer nada com quem tenha contribuído para o actual modelo e estado de coisas.

 

O CdP iniciou o ano de  2015 com o cientista Sobrinho Simões. Ao longo destes anos passaram pelo CdP inúmeras  figuras do mundo da política:  Jerónimo de Sousa, Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Portas, Pedro Santana Lopes, Garcia Pereira, Teixeira dos Santos, Arménio Carlos, Mário Nogueira, Ana Drago, António José Seguro, João Semedo, Manuel Alegre, Bagão Félix, Francisco Louçã, entre outros.


JJ

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

 

A Europa está a ver-se grega com a Grécia e com a vida difícil. Na Idade Média era frequente dizer-se:“Graecum est, non legitur” (É grego, não se entende). O que sei é que a Grécia está a atrapalhar a Europa - não só os países do Norte (ricos) como os do Sul (periféricos e pobres)

A Grécia rejeita a autoridade da troika e mais resgastes. Em Portugal foi pena não se bater o pé a uma troika que mais parecia um cobrador-de-fraque que deixou o país com uma pobreza inqualificável em que os portugueses vivem em agonia permanente e no limite. A maior parte dos portugueses estão especializados em como "chegar até ao fim do mês" com muita imaginação e perseverança.

Sei que a Grécia em 2010 pediu um empréstimo de 110.000 milhões de euros, o défice grego era de 3,7% mas na prática de 12,7%. No Verão de 2011, novo resgaste de 130.000 milhões de euros para salvar a Grécia da bancarrota. Actualmente a dívida grega anda à volta de 317.000 milhões de euros que equivale a 175% do PIB do país, sendo a taxa mais elevada da zona euro. A economia grega perdeu 25% do seu PIB.

Os gregos votaram e querem o que está a fazer o governo da Grécia por intermédio de Yanis Varufakis, ministro das Finanças e o Primeiro-ministro Alexis Tsipras: rejeitar o actual programa de resgaste e o pagamento da dívida.

Não querem discutir com a troika , afirmando que não passa de uma delegação tripartida anti-europeia e que não tem razão de ser e o mais importante alegam, e bem, que em 1953 numa conferência em Londres perdoou à Alemanha metade do seu passivo.

Aquando da estadia da troika em Portugal de má memória sempre disse que o pagamento da nossa dívida é inviável e não é possível pagar-se uma dívida tão grande.

O que é interessante com as eleições gregas em que venceu o Syriza, em vez de Portugal ficar contente, se a Grécia beneficiar de uma ampliação de prazos e de um perdão da sua dívida, está assustado.

Mas não é só Portugal, Espanha alinha pelo mesmo diapasão, está em pânico. Portugal emprestou 1.100 milhões de euros, Espanha emprestou 26.000 milhões de euros mas isso é do somenos. Os governos de Portugal e de Espanha receiam e estão assustados pelo êxito do Syriza, pelo contágio em próximas eleições. Em Espanha o Podemos vai de vento em popa, em Portugal vamos ver o que acontece.

Neste jogo de fumaça e espelhos, a Grécia quer apoiar-se noutros países mas o que é caricato é que países como Portugal, Espanha e Irlanda, resgatados não lhe dão apoio.

Quando alguém já não tem nada a perder tudo pode acontecer e quando alguém deve muito dinheiro quem está tramado é quem emprestou e não quem deve.

O que se está a passar na Grécia vai ter efeito nas próximas eleições legislativas em Portugal.

O problema grego é o mesmo que Portugal trataram o Estado que é público e zela pelo bem comum, como se fosse uma empresa privada e gerida pelo capricho dos nossos governantes que fizeram o que lhes deu na real gana.

Reconheço que sinto uma certa simpatia por ver o governo grego bater o pé aos poderosos da Europa e mostrar-lhes que as coisas não são como eles querem mas como têm que ser.

O Syriza é a última cartada do desespero dos gregos

JJ

Autoria e outros dados (tags, etc)

comentários

comentários

Mensagens



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


calendário

Fevereiro 2015

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728