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Segundo o jornal Sol , terá sido um professor catedrático português a escrever o livro A Confiança no Mundo - Sobre a Tortura em Democracia, publicado como sendo da autoria de José Sócrates. Esta conclusão, baseada em escutas telefónicas, faz parte dos indícios recolhidos na Operação Marquês.

Com prefácio de Lula da Silva e posfácio de Eduardo Lourenço, o livro foi lançado em Outubro de 2013, sob a chancela da editora Verbo, numa concorrida cerimónia, onde estiveram as figuras de topo do PS, incluindo Mário Soares (que apresentou o livro conjuntamente com o ex-Presidente brasileiro), António Costa, Ferro Rodrigues, Almeida Santos e Manuel Alegre. Na altura, Sócrates explicou que o texto correspondia ao trabalho académico que realizara para o Instituto de Estudos Políticos (‘Sciences Po’) de Paris depois de abandonar o Governo, em 2011.

Sinceramente não acho isso relevante para definir o carácter e o comportamento de José Sócrates . Acho muito mais relevante outras coisas indiciosas e se forem provadas.

José Sócrates depois do problema da sua licenciatura, viveu sempre  com o fantasma da sua aceitação intelectual, e ir mais além, para colmatar esta lacuna. Isto mostra como somos um pais de doutores e de doutores faz de conta. Este novo-riquismo intelectual levou à queda de Miguel Relvas. Todos os políticos desejam reconhecimento intelectual, em vez de desejarem reconhecimento pelo seu exemplo.

Este tipo de noticias permitem a vitimização de José Sócrates e a teorização que é uma pessoa perseguida.

Sempre achei José Sócrates muito vaidoso ( não é um defeito) e sempre preocupado com a sua imagem.

Conheço muita gente que pediu a outros para fazer livros que não são da sua autoria. Não é bonito e é descabido mentir ou omitir quem fez um livro por nós. Mas há coisas muito mais graves. Poderia no seu livro A Confiança no Mundo, fazer referência à colaboração do tal professor e estava tudo resolvido. Mas não, José Sócrates quis os louros todos para si.
Deste modo pôs-se a jeito e os seus inimigos não perdoam, como ele em tempos não perdoava nada. Quem semeia ventos colhe tempestades. Enfim!

JJ

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Lamentável!

27.03.15

 

 



Sempre me aborreceram o prolongamento de casos de uma forma hedionda até ao limite. Com a maior das sinceridades já não ligo nada ao caso Sócrates , nem ao caso BES. Estarei atento  quando se tiver os resultados. Irrita-me tanto este folclore e espalhafato brutal. Uma intoxicação brutal em que somos obrigados a falar sempre da mesma coisa. Cada vez sou mais selectivo e ligo ao que me interessa.

Todavia não posso deixar passar em claro mais esta noticia da revista Sábado.
O juiz de instrução Carlos Alexandre do caso Sócrates não tem tido uma vida fácil. Já o ameaçaram várias vezes, invadiram-lhe a casa, tentaram atropelar-lhe a mulher e agora envenenaram-lhe o cão.
Suspeita-se que alguém tenha atirado para o quintal da casa do juiz um alimento misturado com veneno para ratos.

Ser ameaçado , ser agredido, invadir a residência e deixar-lhe uma velha pistola à vista que estava guardada numa gaveta. Estes avisos, apesar de ter segurança 24 horas por dia, são bastante preocupantes , para quem deseja que se faça justiça.

Para quem, acusa o  processo de José Sócrates, de ter-se violado o segredo de justiça e haver atitudes persecutórias não há o direito de praticar este tipo de acções.

Como se hão-se classificar estas ameaças ? Quem as faz ? Qual o intuito de as fazer?

Estes actos são inqualificáveis, indignos e soezes . Tem como objectivo fazer pressão, imposição, influência e intimidação para que este processo não avance.

Como cidadão português , respeitando a presunção de inocência , quero que estes processos vão até ao fim e até às últimas consequências, der para onde der.

JJ

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Joaquim Jorge depois de uma primeira tentativa gorada, António Costa ainda não era líder do PS, conseguiu finalmente assegurar a vinda de António Costa ao Clube dos Pensadores.

A sua presença está confirmada para o dia 30 de Março, segunda-feira, pelas 21h30 no Hotel Holiday Inn. Este será o 90.º debate. Deste modo, excepcionalmente, o Clube faz novo debate, neste mês de Março, para receber António Costa, pois recentemente festejou o seu 9.ºaniversário com Miguel Cadilhe.

Estará presente Orlando Gaspar, socialista histórico.

Joaquim Jorge ao agradecer por SMS, a sua presença, e de ter tomado a iniciativa do contacto para agendamento. António Costa respondeu também por SMS : «um dia havia de ser... Eu é que agradeço o convite e a persistência».

A persistência de Joaquim Jorge tem que ver com o interesse público e cívico, de ouvir António Costa num fórum de debate da sociedade civil e não num local organizado pelo partido. Um candidato a Primeiro-Ministro para chegar a chefe do Governo: primeiro tem que ser líder de um partido (o que aconteceu ao vencer António José Seguro e tornar-se secretário-geral do PS); segundo, o mais importante, tem de conquistar a confiança dos cidadãos, para votarem nele.

Será uma oportunidade de o fazer, explanar algumas das suas ideias, dissipar dúvidas e explicar algumas das suas propostas para um futuro programa de Governo, para as eleições legislativas de Setembro. Pode ser um bom presságio a vinda de António Costa. Em 2011, Pedro Passos Coelho, líder do PSD na oposição, uns meses antes de ser Primeiro-Ministro, esteve no CdP e fez várias propostas para um futuro programa de Governo, infelizmente muitas delas não cumpriu.

António Costa tem proposto algumas medidas: reposição na íntegra dos salários da função pública ; retomar o programa Simplex ; rever o mapa judiciário; entregar mais competências às autarquias; valorizar o interior; apostar nas energias renováveis; repor o IVA na restauração nos 13% ; repor cláusula de salvaguarda do IMI ; entre outras.

Os portugueses já não passam cheques em branco. Querem conhecer as propostas dos diversos partidos especialmente do maior partido da oposição (PS) . O problema é as promessas, e depois, o seu cumprimento. É preciso saber, se o que se propõe é exequível.

António Costa tem gerido com mestria o “dossier José Sócrates”, mas desde que foi eleito tem perdido élan e o entusiasmo à sua volta esmoreceu. Em recentes sondagens o PS não descola do PSD, apesar, da polémica com as dívidas fiscais de Pedro Passos Coelho e a confirmação da existência da lista VIP de contribuintes, lhe ter dado um novo impulso.

O CdP, este ano de 2015 já recebeu o cientista Sobrinho Simões e Rui Rio que ainda não decidiu o seu futuro político, amigo pessoal de António Costa.
 
JJ

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Ponderei antes de escrever este artigo, pois é um artigo a falar de mim e do Clube dos Pensadores (CdP) que fundei em 2006. E, falar em causa própria pode ser entendido como promoção, presunção ou vaidade.

Promoção do CdP, não o é com certeza, pois os senhores jornalistas divulgam e noticiam amplamente tudo que é feito com eco nacional. O CdP, como diz o meu amigo Mário Russo (professor do PVC), “o Clube dos Pensadores já é uma marca”. No meu dia-a- dia apercebo-me de tal facto. Todavia, segundo João Vasco Almeida (jornalista) escreve na missiva enviada ao Clube, “o que Joaquim Jorge conseguiu nos últimos nove anos já é parágrafo na História do país”. Acho de mais e não tenho essa noção.

Presunção, mostrando uma opinião (excessivamente boa) em público acerca do CdP, não o vou fazer mas falar unicamente do 9.º aniversário. E, vaidade por falar num artigo de opinião do que faço, não é o caso, porque não tenho uma ideia exageradamente positiva do CdP. Deste modo não serei fátuo.

Neste 9.º aniversário em que esteve presente Miguel Cadilhe. Convidei-o, por não estar na política activa, pela sua lucidez, ter sido um dos melhores Ministros das Finanças das últimas quatro décadas e ser um resistente do Porto. Tem a chancela de qualidade intelectual, económica, profissional e técnica. É militante do PSD, mas um outsider da política partidária, o que não significa que se demita de uma intervenção cívica. Talvez por isso é que tenha estado no aniversário do CdP.

O debate foi brilhante, informal e surpreendente pela postura de Miguel Cadilhe. Miguel Cadilhe tem uma imagem distante, sisuda e raramente se ri em público, todavia mostrou-se descontraído, informal e divertido, não deixando de falar de coisas sérias com um timbre que ecoou na sala. Escolheu um tema querido ao CdP, "a democracia". Esta crise actua como uma lupa, em que mostra os defeitos da democracia que já existiam, mas não se tinha a exacta percepção. A resposta a esta crise está entrelaçada: a resposta para a saída da crise está na política e nos políticos, mas por sua vez a política e os políticos estão em risco pelo descrédito e má imagem na opinião pública. A nossa democracia está num processo de expectativas defraudadas e de frustrações acumuladas.

Aproveitei o ensejo para prestar uma homenagem: à educação; à oposição; ao jornalismo; ao CdP. Convidei para usar da palavra respectivamente Filinto Lima (vice- presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas), Firmino Pereira (líder do PSD em Gaia); João Vasco Almeida (jornalista da extinta revista Focus) e Miguel Azevedo Brandão (advogado e membro do CdP).

Fi-lo porque o Clube, para além de promover cidadania e participação cívica, faz pedagogia cívica. Chamar à atenção, lançar alertas e lembrar a importância de certas coisas e decisões. Procuro denunciar e que se tome consciência.

Um país não vai a lado nenhum sem educação. Não existe democracia sem oposição. Não existe democracia sem liberdade de imprensa e bom jornalismo. O Clube dos Pensadores já representa algo na cidadania e participação.

No final várias pessoas abordaram-me que repararam que não estava ninguém presente da Câmara Municipal de Gaia.

Eu respondi: por vezes aparece alguém, por exemplo, Albino Almeida, presidente da Assembleia Municipal da Câmara de Gaia ou a vereadora Mercês Ferreira. Mas o CdP não convida ninguém para estar presente, limitando-se a convidar o convidado de honra. A entrada é livre e gratuita, quem quiser aparece.

Antigamente nas sessões de aniversário, Luís Filipe Menezes enviava sempre um representante da autarquia de Gaia para assistir, porém este executivo, nem se dignou enviar uma missiva a felicitar e dar os parabéns como é de bom-tom e manda a boa educação.

A Câmara de Gaia considera provavelmente o Clube dos Pensadores que eleva bem alto o nome de Gaia, algo hostil, adverso, contrário e ameaçador.

É compreensível, tenho criticado inúmeras vezes a Câmara de Gaia, sempre pelo bem de Gaia. As críticas são entendidas por este executivo como ataques pessoais. Todavia, o CdP não precisa e é superior a isso. Relativiza essas atitudes e comportamentos. Quem o CdP queria que estivesse , estava lá. Não vive do erário público , é livre e independente. As acções ficam com quem as praticam.

O que interessa é que foi um serão memorável, vivido por quem esteve presente. O resto são peanuts.

A Humanidade é um cabo-de-guerra entre aqueles que querem tudo e as pessoas que tentam defender o melhor. Em Gaia, e quem manda actualmente, passa-se um pouco assim.Quem está à frente dos destinos de Gaia, ainda não percebeu bem a força do CdP e o que ele representa. Não perceberam que será melhor não o hostilizarem e respeitarem a sua idiossincrasia.

Ou, por este andar, teremos que ponderar realizar as nossas iniciativas, noutra cidade, em que sejamos mais bem acolhidos. Enquanto estiver este executivo autárquico do PS na Câmara de Gaia, ao estilo de secar tudo à sua volta como um eucalipto e querer o protagonismo todo para ele.

JJ

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Joaquim Jorge, fundador do CdP convidou Miguel Cadilhe para estar presente, no seu 9.ºaniversário, no dia 16 de Março, segunda-feira, pelas 21h30, no Hotel Holiday Inn em Gaia. Antes do início do debate, pelas  21h, serão projectadas  fotografias  de momentos marcantes ao longo destes nove anos.

 

Miguel Cadilhe é um reputado economista e professor universitário que não está na vida política activa, mas foi Ministro das Finanças do governo de Cavaco Silva e secretário de Estado do Planeamento do governo de Sá Carneiro.  Esteve no Conselho de Administração de vários bancos ( BPA; BCP, BBI, etc. ), chegando a presidir o BFE e o BPN por escassos meses.

 

O debate não deixará de abordar a actual momento político: a saúde da economia e finanças portuguesas. A dívida pública finalizou o ano de 2014 em 128,7% do PIB, acima das previsões feitas pelo Governo segundo o Banco de Portugal. É uma descida face aos 131,4% registados no final do terceiro trimestre de 2014, mas significa uma subida em relação ao final de 2013. Por outro lado, a Comissão Europeia incluiu Portugal, no grupo de países onde estão França, Itália, Croácia, Bulgária que se encontram sob vigilância devido a desequilíbrios macroeconómicos excessivos.

 

O CdP nasceu em Março de 2006 ,contra o desinteresse por parte dos cidadãos e desconfiança nas instituições. Os cidadãos acreditam cada vez menos nos políticos, sendo prova disso a fraca participação nos actos eleitorais.

 

É um espaço de activismo cívico e uma nova forma de participação cívica, procurando aproximar os eleitos dos eleitores.É uma forma de democracia participativa, que serve de complemento aos partidos, não os querendo substituir, todavia a  democracia não se esgota no voto.

 

Os partidos têm cada vez mais dificuldade em chegar às pessoas,concomitantemente as pessoas têm dificuldade em se fazerem ouvir e participarem.

 

No CdP estamos a tentar inventar novas formas de fazer as coisas, contra uma presença humana vazia, resultado de um processo de expectativas defraudadas, de frustrações acumuladas . Procuramos denunciar e que se tome consciência.

 

Há uma responsabilidade quando vivemos numa Democracia: ela não sobrevive a menos que alguns de nós se envolvam, a menos que haja massa crítica, que gastemos algum tempo a votar, a ler o jornal e a pensar.

 

A intervenção do Clube passa pelos debates,  blogue aberto aos cidadãos, palestras, publicação de livros , artigos de opinião , comentário e análise política. 

 

Esta crise actua como uma lupa, em que mostra os defeitos da democracia que já existiam, mas não se tinha a exacta percepção.

 

A resposta a esta crise está entrelaçada : a resposta para a saída da crise está na política e nos políticos , mas por sua vez a política e os políticos estão em risco pelo descrédito e má imagem na opinião pública.

 

Ao longo destes nove anos passaram pelo clube figuras ligadas essencialmente  à política: Marcelo Rebelo de Sousa, Paula Teixeira da Cruz, Pedro Passos Coelho, Jerónimo de Sousa, Paulo Portas, Ana Drago, Maria de Belém, Francisco Louçã, Garcia Pereira, Manuel Alegre, António José Seguro, Pedro Santana Lopes, Jorge Miranda, Teixeira dos Santos, Rui Rio, entre outros. Mas também ao  mundo empresarial: Belmiro de Azevedo, Alexandre Soares dos Santos ; sindicatos : Arménio Carlos, Mário Nogueira; ciência : Sobrinho Simões; desporto : Vítor Baía ; arte musical: Pedro Abrunhosa; entre outros.

JJ

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Pedro Passos Coelho é o primeiro-ministro de Portugal , é um ser humano, tem defeitos , como todos nós. Porém, ao exigir aos portugueses uma carga fiscal brutal, que paguem os seus impostos, deve ter o cuidado de fazer o mesmo. 

Recordo-me de Pedro Passos Coelho  ter-lhe sido devassada a sua vida nas férias, questionando-se se ao alugar casa de férias  no Algarve pediu ou não factura. Estávamos em 2012 e num período de grande combate à evasão fiscal.

Recentemente, veio a lume,quando era deputado em regime de exclusividade, não podendo ter outro tipo de remuneração, ficou-se com a ideia que recebia contribuições indevidas na empresa onde colaborava, apesar de não se ter conseguido provar ( nada que nenhum português não faça se puder fugir aos impostos).

Um dos maiores problemas deste país é sermos governados por pessoas que exigem muito aos outros e cumprem pouco. Aquilo a que chamo há muito tempo, uma "política de exemplo" : governantes que devem ser imitados, que sejam um modelo, que nos sirvam de padrão.


Não há outra forma de os portugueses acreditarem, em quem nos governa, se essas pessoas não derem o exemplo nos seus actos e comportamentos.

Está a tornar-se insustentável continuarmos a ser governados por pessoas que têm constantemente falhas imperdoáveis e continuam nos seus lugares.

E, o pior, arranjam todo o tipo de desculpas para tudo e mais alguma coisa. 

Pedro Passos Coelho parece-me ser uma pessoa de bem, equilibrado, sensato e sem armanços. Muito teimoso e determinado, mas tem que o ser para ele próprio em vez de o ser somente para os outros.Tem que ter mais cuidado com as suas obrigações e deveres.

Comparado com outros é um aprendiz de feiticeiro, mas a vida faz-se de gestos.  

Esta questão pode prejudicá-lo , tendo em conta que nas sondagens surge pela primeira vez empatado com António Costa que está a perder gás. Vamos ver se este episódio o prejudica ou passará , como mais um.

O combate à evasão fiscal e à fraude fiscal deve começar pelo nosso primeiro-ministro. 

A partir daqui , tudo que se disser ou fizer não tem valor nenhum e ninguém leva a sério. Vamos continuar a tentar não pagar impostos e fugir ao fisco.
 
JJ

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Segundo a nossa Constituição são órgãos de soberania o Presidente da República, a Assembleia da República, o Governo e os Tribunais. Relembro que os tribunais são os órgãos de soberania com competência para administrar a justiça em nome do povo. Os tribunais são independentes. As decisões dos tribunais que não sejam de mero expediente são fundamentadas na forma prevista na lei.

Há vários tipos de tribunais para além do Tribunal Constitucional. Existem as seguintes categorias de tribunais: Supremo Tribunal de Justiça; tribunais judiciais de primeira e de segunda instância; etc.
Mas aqui é que eu quero chegar, há o Ministério Público que tem funções próprias: compete representar o Estado e defender os sues interesses; goza de estatuto próprio e autonomia, nos termos da lei.

Os deputados gozam de imunidade assim como os membros do Governo. Nenhum membro do Governo pode ser detido ou preso sem autorização da Assembleia da República, salvo por crime doloso a que corresponda pena de prisão cujo limite máximo seja superior a três anos e em flagrante delito. A efectivação da responsabilidade de um membro de um Governo tem algumasnuances.

Fiz este preâmbulo, a propósito da prisão de José Sócrates e do juiz Carlos Alexandre.

Em França, Giscard d'Estaing e Nicolas Sarkozy só foram incriminados depois de deixarem de ser presidentes, pois a imunidade era um obstáculo. Nicolas Sarkozy está de volta à política depois de uns anos sabáticos, pelo gosto pelo poder mas também para tentar ver-se livre dos processos que têm às costas: acusações de financiamento de sua campanha presidencial de 2007 pela Líbia; arbitragem litigiosa em favor do empresário Bernard Tapie; escândalo de notas falsas da empresa de organização de eventos Bygmalion.

José Sócrates ou outro membro do Governo qualquer gozam de imunidade e é muito difícil enquanto no cargo serem acusados de alguma coisa.

Lamento que o juiz Carlos Alexandre esteja constantemente a ser pressionado e a viver num ambiente de suspeição, procurando por todos os meios desacreditar a sua pessoa depois de não conseguirem pôr em causa os pressupostos da prisão preventiva de José Sócrates.

O juiz almoçou com um jornalista e houve uma denúncia anónima que acabou por ser arquivada. Essa denúncia foi enviada à Procuradoria-Geral da República acusando de ter passado informações confidenciais sobre o interrogatório judicial de Ricardo Salgado. O referido encontro tinha por finalidade fazer um artigo sobre os seus hábitos no dia-a-dia.

Esta denúncia que não vai ficar por aqui, outras vão aparecer, procura criar um ambiente de suspeição à volta do juiz Carlos Alexandre ou mesmo afastá-lo do processo ou do próprio tribunal.

Para além de ameaças à sua pessoa e sua família, a sua privacidade não existe.

Não sei se teria estofo para aguentar tanta pressão, tanto ambiente de suspeição e tanta desconfiança. O fito é criar dúvida e incerteza sobre a imparcialidade e independência do juiz, procurando pôr em causa a sua idoneidade e capacidade de liderar este processo sobre o ex-primeiro-ministro José Sócrates. Ignominiar o juiz Carlos Alexandre.

A mim o que me mete confusão é estar constantemente a questionar-se o segredo de justiça, mas um presumível arguido poder dizer tudo o que quer e mais alguma coisa sobre tudo e todos.

Recordo-me de Isaltino Morais, na televisão, questionar o juiz do processo, poder dizer o que lhe apetece jurando inocência, e como todos sabemos ter sido preso efectivamente, condenado a sete anos de prisão e a perda de mandato por fraude fiscal, abuso de poder e corrupção passiva para acto ilícito e branqueamento de capitais

Se querem segredo de justiça e igualdade de tratamento deveria ser proibido a um advogado de um arguido tecer todo o tipo de considerações em plenas câmaras de televisão exercendo todo o tipo de pressão e procurando questionar a decisão de um juíz. O juiz por esta ordem de ideias deveria poder perante os órgão de comunicação social também dar a sua opinião e argumentar em defesa da sua posição.

A uns exige-se silêncio, a outros por interposta pessoa (advogado) ou até directamente por escrito em respostas a entrevistas podem dizer tudo o que entendem em defesa da sua pessoa.
José Sócrates está indiciado por sete tipos de crime: quatro crimes de corrupção – corrupção activa para titulares de cargos políticos, corrupção activa prevista no Código Penal, corrupção passiva para acto ilícito e corrupção passiva para acto lícito – branqueamento de capitais, fraude fiscal e fraude fiscal qualificada.

Quero que se faça justiça com José Sócrates, mas também com Dias Loureiro, Armando Vara, submarinos, BPP, BPN, BES, BCP, João Rendeiro, Jardim Gonçalves, Ricardo Salgado, etc..

A sociedade portuguesa exige que a justiça defenda, o bem comum, o bem público e os cidadãos que cumprem com os seus deveres.

JJ

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A partir de 2008 o cenário de exclusão, pobreza, desemprego e precariedade laboral começou acentuar-se gerando desigualdades sociais. Este cenário já estava instalado na sociedade portuguesa mas disparou com a crise económica.

Tínhamos a ideia que isso era assunto de imigrantes ou gente sem cabeça, estávamos muito ocupados, desfrutando de anos de aparente riqueza e de consumo desenfreado que nem demos conta desta situação alarmante. Já havia muita desigualdade encoberta.Nas próximas eleições legislativas é crucial esta situação assumir prioridade para os partidos políticos, para além da regeneração do sistema político. Quem o fizer sairá beneficiado. 

Todos nós estamos conscientes que este panorama de autêntica emergência nacional exige mudanças na política económica e social ou poderá haver uma ruptura social com consequências graves.É necessário oferecer um pouco de esperança a quem foi mais atingido por esta crise. O empobrecimento, causado por esta crise e cortes sociais levados a cabo nos últimos 6 anos, poderá tornar-se irreparável.Os países da U.E. levam vários meses debatendo sobre as políticas de austeridade para estabilizar as contas públicas, mas terão causado males maiores sobre as populações desses países, tendo à cabeça Portugal. 

A Grécia com a vitória do Syriza põe em causa esta política.Nos E.U.A. defende-se que para lutar contra a pobreza é necessário criar riqueza e centrar a economia no crescimento, que permite redistribuir e corrigir as desigualdades.As desigualdades em Portugal estão absolutamente associadas ao desemprego e instrução.Em Portugal a desigualdade parece um problema crónico e muitos portugueses têm passado muito mal. 

Os empregados com vínculo e pensionistas conseguem afrontar a crise com algumas garantias. Porém os desempregados, empregados temporários e os precários têm muito mais dificuldade. Este grupo que cresceu de forma espectacular nos últimos anos.Antigamente ter um emprego era sinal de melhoria de vida e sair da dependência, mas actualmente ter um emprego precário não é sinónimo de muita melhoria de vida.

O aumento da desigualdade e da pobreza devem-se a vários factores: aumento do desemprego; cortes na proteccção social; desgaste dos mecanismos de protecção familiar; desigualdades territoriais; economia paralela; fraude fiscal.

É preciso lutar contra a pobreza, implementar políticas públicas de ajuda às famílias, lançar novas políticas públicas de criação de emprego, recuperar os serviços sociais públicos que se perderam pelos cortes levados a cabo.Todas estas medidas devem ser acompanhadas por uma nova política fiscal sustentável, progressiva e equitativa, unida à luta contra a fraude fiscal.Guilhermo Fernández  Maíllo (sociólogo e membro da equipa de estudos da Cáritas espanhola) diz: «entrar na exclusão social é muito fácil mas sair dela é muito difícil quase impossível». Por outro lado as desigualdades podem colocar em perigo a própria democracia e o sistema político vigente. Estou de acordo com o que diz Adela Corina  (filósofa espanhola e professora universitária de Ética): «chegamos a um nível excessivo de desigualdade que não só é injusto, mas também põe em perigo a democracia».

JJ

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